A Bahia Profunda: Etnicidade e Negritude
A Bahia Profunda: etnicidade e negritude
A baianidade, o texto contemporâneo da identidade baiana, está ancorada por narrativas em negociação, etnicidade negra e negritude, e que foram tecidas através das muitas formas de viver a tradição ou narrar as experiências sociais. A cada (re)encenação da tradição há novas temporalidades inseridas na experiência com a comunidade, constituindo formas criativas de viver o mesmo em constante transformação. A construção da baianidade se deu através do que Stuart Hall (2006) identificou como as referências básicas de toda representação: o tempo e o espaço. Em Salvador, as representações são produzidas através do que venho chamando de momentos e lugares significantes. Atualmente, a identidade baiana está ancorada nas narrativas da etnicidade negra (associação exclusiva) e da negritude (associação não exclusiva) e são reiteradas desde a década de 1960.
O trabalho de compreender os sentidos da baianidade é continuo e segue desvelando os modos de ser baiano através de práticas e de representações produzidas em comunidade. Portanto, se podemos afirmar que existe uma Bahia oculta, pronta para ser revelada, então o que consistiria à Bahia Profunda? O que chamamos de Bahia Profunda pode ser entendida como um conjunto de repertórios - práticas, ações, condutas, representações - que refletem as mentalidades - crenças, valores, significações – em períodos de longa duração, tal qual foi proposto por Fernand Braudel (1992). A Bahia Profunda engloba aquilo que as pessoas da comunidade sentem, fazem e pensam, então é antes as práticas, as ações, as condutas, as crenças, as representações, as significações que se dão desde, através e graças a eles. Por isso podem ser associadas à ideia de repertórios que refletem as mentalidades em períodos de longa duração e (re)criados para lidar com a presença fatídica e obstinada das práticas e das representações institucionalizadas, com as quais lida de forma tensa, conflituosa e poiética. Clique aqui
